2010

Cartaz 1º Andar - mostra de criadores emergentes 2010. Concepção de Joana Bravo e Joana Cruz

Na esteira do que nos propusemos na primeira edição do 1º Andar – promover a visibilidade dos jovens criadores, acreditando que a Beira Interior, o país, os criadores e os espectadores, ganham um espaço que contribui para o desenvolvimento artístico do país – desejamos que, com todo o rigor e qualidade, esta nova edição revele novas emergências das artes contemporâneas e contribua para o seu progressivo desenvolvimento.
Na tentativa de tornar a mostra mais acessível e abrangente, a Quarta Parede promoveu um concurso dirigido a jovens criadores do universo das artes performativas que não possuam mais do que uma criação própria em contexto profissional e não tenham recebido mais do que um apoio financeiro institucional.
Foi com grande expectativa e entusiasmo que analisámos as vinte e quatro candidaturas provenientes de jovens artistas de variados pontos do país, entre as quais seleccionámos os quatro espectáculos que vão constar nesta mostra.

26.Novembro.2010 > 21h30
Elizabete Francisca & Teresa Silva > Leva a mão que eu levo o braço
Covilhã > Auditório Teatro das Beiras

crédito foto: Mariana Bartolo

Sobre Leva a mão que eu levo o braço:
Num lugar que pode ser limite, duas pessoas partilham uma atmosfera que parece apontar para um destino certeiro. Criam-se intimidades, confrontações e constatações em lugares que aparentemente fixos, se tornam mutáveis pelo teste da elasticidade das suas fronteiras e pela vivência num espaco-entre, num meio, entre dois opostos.
Numa constante vontade de se colocarem noutros sítios e de irem ao encontro do não-conhecido, surge latente a vontade de ser outro, de experienciar através do corpo do outro, de fazer parte e ela é mútua e permanente. Por vezes, elas negoceiam vontades, direcções, tomadas de decisão, emoções, numa impermanência que permite fundirem-se e confundirem-se, sem se saber mais quem está à frente e quem segue, quem comanda ou o que manda. Por vezes, deixam de ter vontade própria para surgir uma vontade mútua, num lugar cujas fronteiras de quem é quem se quebram para se darem ao outro, de maneira igual, ao mesmo tempo.
Trata-se de um jogo duplo, no qual as regras são claras mas que se esbatem quando há troca de papéis, ou quando eles não são dados. Um jogo duplo, um “you only live twice” que as une, mas que também engloba quem vê, quem testemunha, e que não deixa de parte os avanços que se dá quando menos se espera.
Há o inevitável. Ambas o sabem. Pode ser que o acaso lhe dê mais tempo.

Concepção e interpretação > Elizabete Francisca Santos e Teresa Silva | Assistência à criação > Miguel Pereira, Sofia Dias e Vítor Roriz | Música > “Bang, bang”Nancy Sinatra | Figurinos > António Mv | Apoio > Fórum Dança/Edifício, Ponto de Encontro Cacilhas e ESD

27.Novembro.2010 > 21h30
Sofia Dinger > Nothing’s ever yours to keep
Covilhã > Auditório Teatro das Beiras

Sobre Nothing’s ever yours to keep:
Não sei o que isto é, talvez a tentativa de fixar um ataque de pânico, transformá-lo em alguma coisa vagamente doce. Adoro versos. Cesariny escreveu este: “Uma canção para te ouvir chegar.”
Entre nós, pensei-o ao contrário. Acho que a tendência trágica vem comigo desde o berço.
Ele diz “A piada é essa, porque ensinar afinado, isso toda a gente faz.”
E rimos sem saber se será mesmo assim…

Criação e interpretação > Sofia Dinger

4.Dezembro.2010 > 21h30
Ana Santos & Miguel Rato > Morada Única [a partir de textos de Al Berto]
Covilhã > Auditório Teatro das Beiras

Sobre Morada única:
O corpo será o último refúgio e santuário do fugitivo. A encenação de uma fuga nocturna no quarto escuro. Relatos de paisagens interiores numa viagem errante entre as recordações da juventude e a solidão do presente, marcas de luz e escuridão.
“O mar, esse mar por onde fugirá o etéreo visitante desta noite.”

Texto > Al Berto | Criado por > Ana Santos e Miguel Rato | Interpretação > Ana Santos | Vídeo > Miguel Rato | Figurinos > Joana Vitória Martins | Apoios > Clube Português de Artes e Ideias – Centro de Experimentação Artística da Fábrica da Pólvora

4.Dezembro.2010 > 22h30
Mariana Pimentel > We don’t have money but we are funny
Covilhã > Auditório Teatro das Beiras

crédito foto: João Costa

Sobre We don’t have money but we are funny:
Este solo é baseado na cultura brasileira vista por meio de um olho externo imaginário. É um manifesto de dualismo: a defesa da complexidade desta cultura é também uma crítica, excedendo o cliché por meio dele próprio. O resultado é um hibridismo entre o cliché e a desconexão, o que é óbvio e o que é ambíguo, a superfície da imagem e a sua profundidade, o texto e o sub-texto, e assim por diante.

“A fragilidade indefesa de um país que dança, iludidos pelos burocratas da capital. Um presente corrupto que chega a ser obsceno. Ser subdesenvolvido não é ‘não ter’: é não estar no presente, e, ao mesmo tempo, esquecer facilmente o passado. Porém, não é melhor do que fingir um desenvolvimento, aproveitar este subdesenvolvimento?” (Mariana Pimentel, baseada na crônica “Nunca estamos nos melhores dias”, de Arnaldo Jabor).

Criação e Interpretação > Mariana Pimentel | Coaching > Francisco Camacho (no contexto de projecto final da Escola Superior de Dança) | Desenho de Luz > Carlos Ramos | Música > “Esnobou meu sentimento” – Aviões do Forró, “Partido Alto” – Chico Buarque, “Na cadência do samba” –  Ataulfo Alves

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